quinta-feira, 9 de julho de 2015

Diferentes perspectivas sobre o som



Resenha Temática Crítica


Diferentes perspectivas sobre o Som

 

 

 

O som é uma realidade complexa que vai além da materialidade, integrando o mundo das culturas e permitindo uma compreensão sobrenatural do mundo. Ele é uma onda mecânica que vibra em contato com diferentes meios. Porém, por sua percepção fugir ao campo do tangível, adquiriu, em diferentes culturas, uma compreensão sobrenatural estando ligado aos mitos, rituais e interações do homem com o Sagrado.
No livro “O Som e o Sentido” de José Miguel Wisnik, em seu primeiro capítulo (“Som, Ruído e Silêncio”), o autor apresenta uma visão física e metafísica (como ele mesmo diz) do som. Começa com sua definição (onda mecânica, de estrutura comum, mas variável em intensidade). Em seguida, identifica seu modo de apresentação (periodicidade, pulsação) e suas complexidades (no tocante à distinção entre som e ruído, música e barulho).
Num segundo momento, o autor apresenta um panorama da compreensão musical nas diferentes culturas, particularmente nas comunidades pré-capitalistas. Nelas, o som e seus instrumentos integram uma dimensão sagrada, servindo como explicação para muitas relações entre o ser humano e o divino, possuindo uma dimensão sacrificial, onde “o ruído é sacrificado para produzir o som”.
No texto “Poluição sonora como crime ambiental” de Anaxágora Alves Machado, o som também é abordado, porém, sob uma perspectiva jurídica. A partir das definições de som e ruído, é feita uma análise  a partir dos prejuízos que este causa à saúde e bem estar humano e ambiental. São apresentadas leis e penalidades que incidem sobre os que produzem ruído ou som que incomode o bem-estar das pessoas próximas.
A partir da análise desses textos e percebendo a importante dimensão que o som possui na vida social, é necessário que haja uma nova e real valorização desse meio de transmissão. Na sociedade altamente capitalista em que vivemos o som se tornou, muitas vezes, puro instrumento de lucro (grandes cantores, bandas, sites de música, plágio musical) e foi se tornando cada vez mais banalizado.
Contudo, ainda existem boas propostas em relação ao mundo sonoro, como a integração da música às terapias de saúde e os projetos sociais que envolvem atividades com gêneros musicais,  para resgatar jovens em situação social vulnerável.
De tal modo, o uso sonoro de maneira consciente e adequada às responsabilidades legais e sociais pode ser um caminho muito valioso para a construção de um mundo mais harmônico, onde as pessoas o utilizem para derrubar barreiras com sua arte, ao invés de construí-las.
Referências Bibliográficas:
·         Livro: “O Som e o Sentido, uma outra história das músicas”; Wisnik, José Miguel; 2ª Edição e 2ª Reimpressão; Companhia de Letras; (Páginas 15-40)
·         Texto: “Poluição sonora como crime ambiental”; Machado, Anaxágora Alves; (Texto extraído do Jus Navigandi)

Fernando Silva Campos

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