Resenha Temática Crítica
Diferentes perspectivas sobre o Som
O som é uma realidade
complexa que vai além da materialidade, integrando o mundo das culturas e
permitindo uma compreensão sobrenatural do mundo. Ele é uma onda mecânica que
vibra em contato com diferentes meios. Porém, por sua percepção fugir ao campo
do tangível, adquiriu, em diferentes culturas, uma compreensão sobrenatural
estando ligado aos mitos, rituais e interações do homem com o Sagrado.
No livro “O Som e o Sentido”
de José Miguel Wisnik, em seu primeiro capítulo (“Som, Ruído e Silêncio”), o
autor apresenta uma visão física e metafísica (como ele mesmo diz) do som.
Começa com sua definição (onda mecânica, de estrutura comum, mas variável em
intensidade). Em seguida, identifica seu modo de apresentação (periodicidade,
pulsação) e suas complexidades (no tocante à distinção entre som e ruído,
música e barulho).
Num segundo momento, o autor
apresenta um panorama da compreensão musical nas diferentes culturas,
particularmente nas comunidades pré-capitalistas. Nelas, o som e seus
instrumentos integram uma dimensão sagrada, servindo como explicação para
muitas relações entre o ser humano e o divino, possuindo uma dimensão
sacrificial, onde “o ruído é sacrificado para produzir o som”.
No texto “Poluição sonora
como crime ambiental” de Anaxágora Alves Machado, o som também é abordado,
porém, sob uma perspectiva jurídica. A partir das definições de som e ruído, é
feita uma análise a partir dos prejuízos
que este causa à saúde e bem estar humano e ambiental. São apresentadas leis e
penalidades que incidem sobre os que produzem ruído ou som que incomode o
bem-estar das pessoas próximas.
A partir da análise desses
textos e percebendo a importante dimensão que o som possui na vida social, é
necessário que haja uma nova e real valorização desse meio de transmissão. Na
sociedade altamente capitalista em que vivemos o som se tornou, muitas vezes,
puro instrumento de lucro (grandes cantores, bandas, sites de música, plágio
musical) e foi se tornando cada vez mais banalizado.
Contudo, ainda existem boas
propostas em relação ao mundo sonoro, como a integração da música às terapias
de saúde e os projetos sociais que envolvem atividades com gêneros
musicais, para resgatar jovens em
situação social vulnerável.
De tal modo, o uso sonoro de
maneira consciente e adequada às responsabilidades legais e sociais pode ser um
caminho muito valioso para a construção de um mundo mais harmônico, onde as
pessoas o utilizem para derrubar barreiras com sua arte, ao invés de construí-las.
Referências Bibliográficas:
·
Livro: “O Som e o Sentido, uma outra história
das músicas”; Wisnik, José Miguel; 2ª Edição e 2ª Reimpressão; Companhia de
Letras; (Páginas 15-40)
·
Texto: “Poluição sonora como crime
ambiental”; Machado, Anaxágora Alves; (Texto extraído do Jus Navigandi)
Fernando
Silva Campos

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