quinta-feira, 30 de julho de 2015

A importância do Componente Experiência do Sensível nos cursos de Medicina

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DO COMPONENTE CURRICULAR EXPERIÊNCIA DO SENSÍVEL NOS CURSOS DE MEDICINA


Aos Srs.

Gilberto Gonçalves Garcia, Presidente do Conselho Nacional de Educação;

Carlos Vital Tavares Corrêa Lima, Presidente do Conselho Federal de Medicina;



Venho, por meio desta, solicitar aos senhores a introdução do Componente Curricular Experiência do Sensível na grade curricular dos cursos de Medicina de nosso país.
Para formar profissionais integrais na área da saúde não basta apenas fornecer  o conteúdo técnico e científico, mas é importante que estes tenham a habilidade de saber cuidar bem das pessoas. Muitos são os pacientes que morrem nas filas dos hospitais, que são mal atendidos ou negligenciados por alguns profissionais, desejosos apenas do lucro financeiro e do conforto dos grandes centros, não se preocupando com a população carentes das periferias e da zona rural.
É preciso formar, não simplesmente “profissionais” em saúde, mas sim “agentes” para a melhoria da saúde. A sociedade tem necessidade de médicos humanos, não apenas de “técnicos em medicina”, que sabem lidar muito bem com máquinas e exames, mas não são capazes de acolher, respeitar e ajudar as pessoas.
Creio que o Componente Curricular Experiência do Sensível vem a ser muito importante na formação médica, pois ele proporciona ao estudante o contato com a  própria realidade interior e, ao mesmo tempo, o ajuda a entender o sentimento do outro.
De tal modo, conto com a atenção dos senhores e espero que esta solicitação seja considerada e aplicada.

Cordialmente,

Fernando Silva Campos
Bacharelado Interdisciplinar em Saúde- UFSB
Teixeira e Freitas-BA
25 de Julho de 2015




Pensando o Sensível



Pensando o Sensível

 




Na última aula, refletimos sobre o significado Componente Experiência do Sensível e sua importância em nossa formação profissional. Ele é um meio de proporcionar aos estudantes o contato com suas próprias experiências e o desenvolvimento de uma maior sensibilidade no relacionamento com pessoas. É muito importante formar profissionais mais humanos, que saibam enxergar no ‘outro’ alguém que precisa ser valorizado e respeitado.
A sensibilidade é necessária em todas as áreas profissionais. Nas Artes e Humanidades, por exemplo, ela é bem presente, porém nas áreas de Exatas e Saúde ainda encontra menor espaço de manifestação. Gostaria de destacar, particularmente, a área da Saúde, que é a que estou estudando e onde ela é mais necessária.
Muitos profissionais da Saúde têm uma grande carência de sensibilidade, principalmente no modo de tratar com as pessoas. É ensinado, em muitos cursos, que esse profissional precisa perder bastante de sua sensibilidade. Isso o torna uma pessoa fria e que, muitas vezes, não se importa com o sofrimento dos outros. Por isso, é importante que disciplinas como a de ES sejam ministradas nos cursos profissionalizantes, particularmente em áreas que lidam diretamente com a vida de pessoas, como a Saúde.

Fernando Silva Campos

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Escutar o silêncio



 

Escutar o Silêncio

Comentário à aula sobre o silencio e à apresentação dos surdos





Fazer silêncio e escutar são ações muito necessárias em nossos dias, tanto para que alguém  possa entender-se, quanto para entender os outros. Muitas pessoas precisam pagar a outras, geralmente psicólogos, para serem ouvidas e poderem falar sobre seus problemas. Esse é um reflexo da sociedade barulhenta e ativista em que vivemos.
Na ultima aula, fizemos a experiência de silenciar, para escutar os outros. Havia uma bola que indicava quem deveria falar em cada momento. Cada um falou um pouco sobre sua entrada na UFSB e como conheceu a universidade. Foi muito interessante conhecer e se surpreender com as historias de algumas pessoas que, geralmente, são bem tímidas.
Num segundo momento, nos encontramos com um pequeno grupo de pessoas surdas que contaram (em libras) suas histórias e nos ensinaram um pouco de sua linguagem. São pessoas que vivem no silêncio total, mesmo algumas delas já tendo ouvido um dia. É difícil pensar a vida sem os sons, pois eles manifestam um pouco do que as coisas significam.
Essa experiência de silenciar, escutar e aprender com os surdos foi muito significativa, pois a vida moderna não nos ensina a parar e calar, mas nos empurra a uma correria frenética e barulhenta; paradoxalmente ao que acontece no ambiente religioso, onde o silêncio é cultivado e incentivado. Enfim, calar é aprender a escutar o silêncio e nos abrir a outras possibilidades de sentir o mundo.

Fernando Silva Campos

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Experimentando o som


 

"Experimentando" o Som






O som é uma realidade muito maior do que o simples ruído. Ele representa “um mundo” de significações, sendo diferente do barulho, que é desagradável ao bem estar do ouvinte. Se o som tiver harmonia, pode tornar-se uma bela canção, capaz de provocar belas sensações.
Na ultima aula, continuamos discutindo sobre essa questão. Foi-nos solicitado que gravássemos diversos sons no Campus e, depois, os ouvíssemos, juntamente com os que trouxemos de casa. Ao final, deveríamos representa-los graficamente e apresentar o produto final, em sala.
Minha gravação pessoal foi de três momentos do dia: de manhã (acompanhando o silêncio e o som dos pássaros); durante o dia, no trabalho (muito barulho e agitação) e à noite (assistindo TV com minha família). Os áudios de João Marcos foram (primeiro) de veículos passando na avenida, pela manhã; o segundo de barulho de carros, motos e pessoas conversando e o terceiro, novamente, de pessoas conversando. O primeiro áudio de Jéssica foi do som da TV ligada e pessoas conversando; o segundo da respiração e batimentos cardíacos e o terceiro foi de muitas pessoas conversando, risos e passos. O primeiro áudio de José Roberto foi dos sons na cozinha de sua casa; o segundo de pássaros, crianças e máquinas no seu trabalho; o terceiro capta os sons ao entardecer no fundo do laboratório em que ele trabalha.
Em grupo, gravamos o percurso que vai de um extremo a outro do Campus. No trajeto, tivemos momentos de silêncio, som de grilos, passos, maior e menor som de conversa e o som do gerador da companhia de energia estadual (COELBA) que fica rua ao fundo do terreno da Universidade.
Foi uma experiência muito legal, pois pudemos tomar consciência a quantos sons e barulhos estamos expostos todos os dias. Após essa atividade me lembrei de como o barulho do ônibus coletivo, que pego todos os dias para ir estudar, é elevado Mesmo com o volume do fone de ouvido no alto, não dá para escutar a música direito, o que nos induz a aumentar o volume ainda mais, prejudicando nosso sistema auditivo. Observações como essas, frutos do dia a dia, ajudam bastante a sermos mais conscientes e encontrarmos soluções para interagir melhor com o mundo auditivo.

Fernando Silva Campos






quinta-feira, 9 de julho de 2015

Diferentes perspectivas sobre o som



Resenha Temática Crítica


Diferentes perspectivas sobre o Som

 

 

 

O som é uma realidade complexa que vai além da materialidade, integrando o mundo das culturas e permitindo uma compreensão sobrenatural do mundo. Ele é uma onda mecânica que vibra em contato com diferentes meios. Porém, por sua percepção fugir ao campo do tangível, adquiriu, em diferentes culturas, uma compreensão sobrenatural estando ligado aos mitos, rituais e interações do homem com o Sagrado.
No livro “O Som e o Sentido” de José Miguel Wisnik, em seu primeiro capítulo (“Som, Ruído e Silêncio”), o autor apresenta uma visão física e metafísica (como ele mesmo diz) do som. Começa com sua definição (onda mecânica, de estrutura comum, mas variável em intensidade). Em seguida, identifica seu modo de apresentação (periodicidade, pulsação) e suas complexidades (no tocante à distinção entre som e ruído, música e barulho).
Num segundo momento, o autor apresenta um panorama da compreensão musical nas diferentes culturas, particularmente nas comunidades pré-capitalistas. Nelas, o som e seus instrumentos integram uma dimensão sagrada, servindo como explicação para muitas relações entre o ser humano e o divino, possuindo uma dimensão sacrificial, onde “o ruído é sacrificado para produzir o som”.
No texto “Poluição sonora como crime ambiental” de Anaxágora Alves Machado, o som também é abordado, porém, sob uma perspectiva jurídica. A partir das definições de som e ruído, é feita uma análise  a partir dos prejuízos que este causa à saúde e bem estar humano e ambiental. São apresentadas leis e penalidades que incidem sobre os que produzem ruído ou som que incomode o bem-estar das pessoas próximas.
A partir da análise desses textos e percebendo a importante dimensão que o som possui na vida social, é necessário que haja uma nova e real valorização desse meio de transmissão. Na sociedade altamente capitalista em que vivemos o som se tornou, muitas vezes, puro instrumento de lucro (grandes cantores, bandas, sites de música, plágio musical) e foi se tornando cada vez mais banalizado.
Contudo, ainda existem boas propostas em relação ao mundo sonoro, como a integração da música às terapias de saúde e os projetos sociais que envolvem atividades com gêneros musicais,  para resgatar jovens em situação social vulnerável.
De tal modo, o uso sonoro de maneira consciente e adequada às responsabilidades legais e sociais pode ser um caminho muito valioso para a construção de um mundo mais harmônico, onde as pessoas o utilizem para derrubar barreiras com sua arte, ao invés de construí-las.
Referências Bibliográficas:
·         Livro: “O Som e o Sentido, uma outra história das músicas”; Wisnik, José Miguel; 2ª Edição e 2ª Reimpressão; Companhia de Letras; (Páginas 15-40)
·         Texto: “Poluição sonora como crime ambiental”; Machado, Anaxágora Alves; (Texto extraído do Jus Navigandi)

Fernando Silva Campos